Dia 01 de setembro minha mãe chegou aqui no Rio. Dia 20 deste mês, Dona Régia faz 60 anos. Essa foi a primeira vez nos meus 35 anos de idade que lembro de ver minha mãe tirando férias. Preparei um roteiro religioso que eu sabia que ela iria gostar. E aproveitei para misturar a presença dela com demandas de meu próprio interesse, como ir ao batizado do meu afilhado em São Paulo.
Fizemos de tudo que um turista no Rio de Janeiro tem direito. No penúltimo dia da estadia de mamãe, fomos ao Cristo Redentor. Ao chegar no ponto de passeios turísticos o moço da bilheteria logo virou a tela do seu computador para me mostrar alguma coisa, era uma imagem cinza. Eu olhei pra ele e disse: o que é isso? Ele respondeu: é a visibilidade do Cristo, senhora… nenhuma. Eu pedi pra mudar meu ingresso, pedi reembolso e o moço disse que nada era possível fazer com meu ingresso comprado. Ele perguntou como quem precisa de uma resposta definitiva se eu ia subir. Não tinha muito o que fazer. Pensei que pelo menos minha mãe poderia conhecer a capelinha que tem lá. Entrando na van, fiz logo meu bico de chateada e minha mãe disse que Nossa Senhora Aparecida iria interceder e ia tirar a nuvem de lá. Eu logo revirei os olhos porque pensei que a Santa tinha mais o que fazer do que se preocupar com minhas duas centenas de reais gastas para ver nuvens. Chegando na primeira parada da van, já fiquei feliz que não tinham filas porque era dia de semana e tinham menos turistas como de costume. Depois de pegar uma segunda van, subimos mais algumas escadas e logo estávamos aos pés do Cristo. Chegamos. Os braços dele bem abertos. A nuvem tinha ido embora. Tínhamos uma ótima visibilidade do Cristo, da vista da zona sul, tudo aconteceu perfeitamente. Até o frio que esquentou e minha mãe olhou pra mim dizendo “Eu não disse? Minha filha, tenha fé. Nossa Senhora não abandona seus filhos.”
Também fizemos a subida do bondinho do Pão de Açúcar. Chegando lá, encontrei uma vaga para estacionar, eis que o flanelinha diz em voz alta: é cinquenta reais, patroa. Eu ainda estacionando o carro respondo: opa, mas eu s… Mamãe saca uma nota de 50 reais, e estende seu braço entre meu peito e o volante e diz: toma, moço. Eu respiro fundo, dou um sorrisinho amarelo e terminode encaixar o carro na vaga. Espero os vidros fecharem 100% e falo: mãaaae, pelo amor de deus, aqui é oRio de Janeiro a gente negocia as coisas, 50 reais pra estacionar na rua? Ela: mas ele falou que era 50. A Celia seentada no banco de trás do carro e super carioca, me endossa “Dona Régia, esse foi o 50 mais fácil do dia dele”. Mamãe diz “tem nada não, gente, nossa senhora tá vendo que a gente quis ajudar.” E assim, seguimos juntas andando comigo resmungando até o ponto de compra dos bilhetes do bondinho. Chegando lá, pedi dois ingressos de morador, meu e da Celia, e um ingresso para visitante brasileiro, da minha mãe. O rapaz falou “vou fazer para vocês os três como se fossem moradores” Eu fiquei bastante surpresa e agradeci. Não é comum darem descontos facilmente no Rio e, sobretudo, assim em ponto turístico. Entramos na fila e minha mãe com um sorrisinho safado no rosto disse “tá vendo? nossa senhora devolve o que a faz de bem. pronto, os 50 já retornaram pra gente” Eu não tinha o que falar. Só concordei e dei um sorrisinho de raiva. Dei um abraço em mamãe e começamos um dos passeios que para mim é um dos mais lindos do Rio de Janeiro.


Já no último dia da viagem, fomos ao maior aquário marinho da América do Sul, o AquaRio. Vimos a tal garoupa-verdadeira que só tínhamos visto na nota de 100 reais, lá estava ela olhando pra gente bem de pertinho. Vimos o peixe-palhaço e falamos juntas “Olha o Procurando Nemo”. Vimos de pertinho tubarões e peixe de tamanhos variados. Chegamos então em um animal que parecia uma salamandra misturado com lagartixa de parede, mas estava dentro d’água e comentei que parecia um pokemon. Mamãe fez uma careta de nojo e disse “que bicho horrível”. Eu puxei ela disse pra não falar alto porque vi no material informativo que o animal chamava axolote e era natural do México, vai que algum mexicano ouvisse a gente e ficasse chateado. Mas mamãe ficou lendo tudo e vendo tudo com cara de nojo. Saindo dali, encaramos um texto bem grande em que falava que os axolotes são animais importantes para os estudos científicos de combate ao cancer por terem capacidades regenerativas. “larissa, mudei de opinião, eles são lindos, os bichinhos…” Agora são bonitos, né? Sei… Terminamos o passeio e mamãe gastou uma fortuna comprando imã e chaveiro do axolote.

Almoçamos no restaurante Da Roberta, que fica na rua Mena Barreto 105 em Botafogo. Lá meu prato favorito é o Taco de Porco e o polpetone (foto abaixo) e de sobremesa vale pedir um ChuChurros.


Levei mamãe para tomar sorvete e dessa vez fomos nos sabores de tapioca e carimbó na Blaus que fica na rua Barão do Flamengo 35. Almoçamos Lomo Saltado no restaurante Ceviche que fica na Senador Vergueiro 44 no Flamengo. Um prato que dá perfeitamente para duas pessoas dividirem. Vale muito a pena. Precinho e sabor deliciosos.


Entre nossas visitas às igrejas do centro, fomos a um restaurante chamado Capiau Botequim que faz todos os pratos em fogão a lenha, fica localizado na rua Miguel Couto 124 no Centro do Rio, foi uma indicação do meu noivo, que recomendou também língua frita, mas eu me recuso a comer língua de boi.


Fomos ao teatro ver o espetáculo Mamma Mia dirigido pelo Charles Möeller & Claudio Botelho. Depois de sairmos do teatro, fomos ao SURU Bar que se identifica como Coquetelaria Popular Brasileira e realmente os preços são ótimos e os drinks deliciosos. O bar fica na rua da Lapa, 151.


Que vida feliz com férias e minha mãe comigo vivendo coisas boas pelo mundo.
